Não se confunda mais: enólogo, enófilo, sommelier

Você, certamente, já se deparou com os termos “enólogo”, “enófilo” e “sommelier”. No artigo, exploramos melhor as diferenças entre essas denominações.


O mundo dos vinhos é cheio de particularidades e termos próprios. Isso faz com que muitas pessoas acabem desconhecendo, ou confundindo, o real significado de termos como “enólogo”, “enófilo” e “sommelier”. De fato, há diferenças significativas entre eles. Por outro lado, uma coisa os une: a paixão pelos bons vinhos.

O vocábulo sommelier, em especial, tem sofrido uma distorção quanto ao seu significado. Com uma grande variedade de cursos (profissionalizantes ou não) à disposição do público, muitos têm se intitulado dessa forma por terem uma boa bagagem teórica sobre o assunto.

Este artigo foi elaborado para esclarecer os termos, explicar quais as habilidades de cada um e o que, de fato, os diferencia. Boa leitura!


Entenda as diferenças entre enólogo, enófilo e sommelier

Antes de entrarmos nas competências que designam os vocábulos, precisamos elucidar a etimologia de dois desses termos: enólogo e enófilo. “Eno” é o radical, de origem latina, empregado para designar o que é referente a vinho. Ao analisarmos os sufixos “logo” e “filo”, as diferenças se tornam mais claras. Por isso, vamos iniciar com essas denominações que causam mais dúvidas por conta de sua grafia, bastante parecida.


Enólogo: o artesão

Logo”, o sufixo (terminação) da palavra tem origem grega e sua tradução é bastante complexa, podendo ser utilizada para muitos conceitos. Entretanto, quando usada em um contexto como esse, serve para designar “estudo”, “conhecimento”. Sendo assim, o enólogo é o estudioso dos vinhos.

São eles as mãos e mentes por trás de safras excepcionais. Os enólogos estão envolvidos em todos os processos da vinificação: escolhem as uvas, analisam o solo, definem quais os métodos que serão utilizados e qual será o engarrafamento. Ou seja, são eles quem se dedicam à ciência do vinho e determinam quais os componentes que farão daquela garrafa um produto superior.

Esses profissionais têm domínio de uma série de áreas do conhecimento, que vão de química, à climatologia, física e biologia. Graduados nesses cursos, ou com formações afins, podem, inclusive, realizar a pós-graduação em enologia, adquirindo, assim, o título de enólogos.

A formação superior em enologia aborda temas que fazem deste um profissional diferenciado. Para se tornar um enólogo, é preciso compreender todo o processo de produção, microbiologia, metodologias de plantio, cultivo e, claro, ter profundo conhecimento de avaliações sensoriais. Não à toa, o curso tem duração de 4 a 5 anos, dependendo da instituição.


Enófilo: o apreciador

O sufixo “filo”, também de origem grega, significa “amigo” ou “aquele que quer algo”. O enófilo, então, é o “amigo dos vinhos” de acordo com a morfologia da palavra. E, de fato, é. Ele é um grande apreciador, que pode ter uma vasta bagagem sobre rótulos, processos ou comercialização.

O fato de não se envolverem profissionalmente no mundo dos vinhos é uma diferenciação importante entre estes e os sommeliers. Contudo, essa diferença será explicada logo mais. Por ora, uma frase de um conhecido enófilo brasileiro pode ajudar a esclarecer a diferença entre esses dois primeiros tópicos: enólogo é quem diante do vinho toma decisões, e enófilo é quem diante de decisões toma vinho”.


Sommelier: o maestro

Quando a função é desempenhada em restaurantes, o sommelier é o responsável por proporcionar ao cliente uma experiência sensorial conduzida pelos melhores rótulos. Ele atua elaborando a carta de vinhos, realizando a compra das garrafas e encarregando-se pessoalmente do armazenamento das mesmas, além de sugerir as harmonizações aos enófilos.

De todo modo, a função do sommelier não se restringe aos vinhos. Eles também têm profundo conhecimento sobre cervejas, sakes e outras bebidas, podendo trabalhar, inclusive, em hotéis, casas especializadas e importadoras. Justamente nesse ponto é onde mora a diferença entre sommeliers e enófilos: os primeiros exercem sua paixão profissionalmente, enquanto os segundos veem no vinho uma fonte de prazer, entretenimento e cultura.


Conheça outras figuras importantes para o mundo dos vinhos

Além desses, você já ter tido contato com uma série de outros termos relacionados ao universo da vinicultura. De fato, enólogos e sommeliers são apenas os representantes de atividades que envolvem uma série de outros profissionais. Dentre eles, podemos destacar:

  • ampelógrafo: é como é chamado o botânico responsável pelo estudo e classificação das videiras. É um profundo conhecedor de tudo que envolve a uva;
  • mestre de cave: braço direito do enólogo, incumbido de organizar e administrar toda a cave, do recebimento da uva ao despacho das garrafas prontas;
  • viticultor: quem cuida das videiras durante o seu ciclo. Domina técnicas de manejo, variedades de uvas e diferenças dos terroirs;
  • winehunter: descobre rótulos em todo o mundo para compor uma carta de vinhos adequada a um determinado público;
  • tanoeiro: é o produtor das barricas de carvalho que serão usadas para fermentar e amadurecer o vinho;
  • degustador: provador e julgador de vinhos;
  • vinhateiro: dono da vinícola.

Cada um desses profissionais tem um envolvimento diferente no processo, da produção à taça. Extrair o melhor que cada uva, de cada pedaço de terra e compor um terroir único é uma tarefa delicada e complexa. Que de nada valeria se não houvesse a harmonização perfeita para ressaltar essas características.

Continue acompanhando o blog da Anima Vinum para mais artigos relacionados a esse rico universo. Aproveite e conheça a seleção feita por verdadeiros descobridores de vinhos elaborados por pequenos produtores. Conhecidos como “vignerons récoltants”, esses produtores são os verdadeiros artesãos por trás de cada rótulo. A produção é acompanhada de perto do plantio, passando pelo cultivo, vinificação e envelhecimento da bebida. Acesse e leve essa experiência para a sua taça.

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